domingo, 10 de agosto de 2008

POESIA

CANÇÃO DE KASPAR HAUSER
para Bessie Loos:

Ele de fato amava o sol que descia a colina purpúreo,

Os caminhos da floresta, o canto do pássaro negro
E a alegria do verde.
Sisuda era sua morada à sombra da árvore
E puro o seu rosto.
Deus disse ao seu coração uma doce chama:
Homem!
Tranqüilo, o seu passo encontrou a cidade à noite;
O lamento sombrio de sua boca:
Quero tomar-me cavaleiro.
Seguiram-no porém arbusto e animal,
Casa e jardim crepuscular de gente branca,
E procurava-o seu assassino.
Primavera, verão e belo o outono
Do justo, seu passo leve
Pelos quartos escuros de sonhadores.
À noite ficava sozinho com sua estrela;
Viu que nevava em galhos nus,
E a sombra do assassino no tenebroso vestíbulo da casa.
Prateada, tombou a cabeça do não-nascido.

Georg Trakl / tradução: Cláudia Cavalcante

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